
Aprisionados em enormes caixas de chumbo, os relógios ainda se mostram dispostos a marcar o tempo que conhecemos.
Tempo que coloca um fim em tudo que gostamos e que sempre sentiremos falta, tempo que não é real, mas faz a realidade parecer uma mera ilusão.
A realidade das coisas só é percebida quando o fim está próximo, ou até mesmo quando o tempo já matou tudo a nossa volta.
A morte está silenciada dentro dos medos que residem na mais profunda caverna do nosso existencialismo, a mesma caverna onde residem os nossos amores.
Amar é cavar profundamente a alma de uma pessoa até chegar a um espelho onde se possa ver o próprio reflexo.
Dizem que os espelhos enganam, dizem que o amor é imortal, dizem que a morte é fria e injusta, dizem que a realidade é cruel, dizem que o tempo não pára, dizem que alguns relógios precisam de bateria...
Meu reflexo às vezes me pergunta: "Você sabe o que as pessoas falam de você?".
Eu apenas respondo “Por favor, que horas são?”.